Paisagismo, um desafio para competir neste mercado
A busca por melhor qualidade de vida nos condomínios levou ao crescimento das empresas que atuam no ramo de paisagismo.
Célia Demarchi - 27/9/2009 - 20h18
O empresário Lao Napolitano, de 37 anos, criou a Lao Engenharia há sete para fabricar brinquedos de playgrounds constituídos com o máximo possível de matérias-primas com características de sustentabilidade. Atualmente, além de brinquedos, ele começa a produzir equipamentos e mobília para áreas externas, inclusive parques públicos. Para atender a uma demanda que só cresce, a empresa – que faturou R$ 1 milhão em 2007, R$ 1,8 milhão no passado e deve encerrar 2009 com vendas de R$ 4 milhões – está investindo R$ 500 mil para erguer uma nova fábrica, a ser inaugurada ainda este ano, que lhe permitirá multiplicar por cinco a atual a capacidade produtiva: “Hoje, deixamos de atender clientes porque a demanda é muito grande”.
Lao Napolitano investe em nova fábrica: “Hoje, deixamos de atender clientes porque a demanda é muito grande”.O sucesso da Lao Engenharia remete à expansão do mercado imobiliário dos últimos anos, inclusive no segmento econômico, e ao fato de o paisagismo estar finalmente sendo integrado aos projetos de modo geral. E remete também ao aumento dos investimentos públicos em novos parques urbanos e ao crescimento da demanda de produtos ambientalmente corretos.
A demanda por áreas externas bem equipadas nos condomínios se deve a dois fatos mais que consumados – a inserção da mulher no mercado de trabalho e sua necessidade de prover conforto à família e o aumento da violência nas cidades, fatores que cada vez mais estimulam a busca por qualidade de vida dentro dos condomínios por meio principalmente da adoção de áreas externas bem equipadas. Mas também se relaciona à necessidade de se ampliar áreas de solo permeáveis nas cidades para evitar enchentes.
Foi o crescimento econômico dos últimos anos, no entanto, que possibilitou a arrancada dos serviços de paisagismo e seus fornecedores, como a Lao Engenharia. Depois de uma da paralisação do começo do ano por causa da crise internacional, os pedidos voltaram a aumentar com a retomada dos investimentos imobiliários: “Isso se reflete muito no paisagismo. Hoje, mais do que nunca, porque o paisagismo já integra o projeto, desde o inicio”, diz o arquiteto Benedito Abbud, de São Paulo: “Há cerca de dez anos era um jardim, plantado depois da obra pronta. Agora é visto como forma de agregar valor ao imóvel, com pouco custo”.
Abbud lembra que todos os empreendimentos residenciais de alto padrão necessariamente têm áreas de lazer e convivência e que também os projetos de habitação econômica atualmente preveem esses espaços.
No caso dos condomínios de áreas mais nobres – em que o terreno é mais caro – quase sempre os prédios são erguido sobre lajes, sob as quais ficam as garagens. Assim, a torre começa já pelo andar térreo, o que necessariamente demanda piso, iluminação, drenagem, jardim: “É um custo obrigatório. Se o projeto é feito por profissionais o espaço se torna muito mais funcional”, diz Abbud.
Os espaços são concebidos de modo a atender às necessidades de toda a família: incluem piscinas, jardins, brinquedos e equipamentos para diferentes faixas etárias, pois crianças, adolescentes e idosos, principalmente, ficam bastante tempo dentro dos condomínios.
Essas áreas externas tornaram-se até fatores de competitividade para as construtoras, que chegam a encomendar modelos exclusivos de equipamentos, segundo Lao Napolitano. O design dos brinquedos de sempre, como balanços e gangorras, costuma se basear em personagens do desenho animado da moda, temas da natureza, no nome do condomínio e em até artistas plásticos mais conhecidos, como Miró, que inspirou uma linha de casinhas de playground da empresa.
Habitação econômica
Os condomínios de habitação econômica começam a ganhar áreas externas tão atraentes e bem equipadas quanto a dos empreendimentos de alto padrão e isso já se faz sentir entre os fornecedores de artigos e serviços de paisagismo. A estratégia nesse caso é empregar brinquedos e estruturas que demandam baixa manutenção, além de tirar das plantas o máximo de desempenho.
Assim, se piscinas nem sempre constam dos projetos, as áreas de vegetação podem ser até mais interessantes. Como esses condomínios são erguidos em áreas mais distantes do centro das cidades, a tendência é que os terrenos sejam maiores porque seus preços são relativamente mais baixos. “Esses prédios normalmente não têm subsolo porque custa menos para a construtora comprar um pedaço a mais de terreno do que construir lajes”, explica o arquiteto Benedito Abbud.
Plantada diretamente no solo, a vegetação fica mais vistosa. Mas isso é apenas um detalhe. As plantas desempenham funções importantes nos condomínios. Trepadeiras baratas e resistentes cobrem muros e evitam que sejam pixados. Essas plantas podem cobrir paredes inteiras de alguns edifícios ainda para controle de temperatura interior. “Em cinco anos, quando a pintura começa a ficar feia, a trepadeira já cobriu a parede”, diz Abbud. Nos telhados, explica, podem-se aplicar espécies como falsa vinha e falsa era, que protegem as casas do calor no verão, quando estão plenas de folhas, e permitem incidência de sol no inverno, quando as folhas caem. “É possível, portanto, fazer paisagismo com baixo custo de implantação e manutenção.”
Lao Napolitano diz que a demanda da empresa no segmento econômico é a que mais deve crescer nos próximos anos. Tanto que ele já planeja trabalhar com alta escala em brinquedos de playground.
A diferença entre os brinquedos e estruturas que vão para os condomínios de alto padrão e os econômicos pode estar apenas no design, segundo Napolitano: “O conceito é o mesmo”. No caso dos primeiros, peças exclusivas funcionam como diferencial competitivo. O empresário explica que é o design determina também o tipo e a quantidade de material que será necessário para a produção dos equipamentos. E exemplifica: pérgulas (caramanchões) podem ser feitos com cabos de aço, que duram o mesmo tempo que as pesadas estruturas de madeira, mas são mais leves e custam muito menos.
Como nasceu, há sete anos, com a meta fornecer produtos com características de sustentabilidade, a Lao Engenharia tem aí um desafio, já que esses produtos costumam ter custo de produção um pouco mais alto. Napolitano diz, porém, que está cada vez “menos difícil” encontrar fornecedores de matérias-primas com tais atributos. Afirma que tem cerca de 60 fornecedores atualmente, dos quais 70% têm alguma característica de sustentabilidade.
Para contratá-los, Napolitano elege os mais sustentáveis de cada segmento. Por exemplo, se a matéria-prima é o plástico, pergunta se é reciclado. Se a resposta for positiva, ele passa para a segunda etapa da avaliação, que é conhecer a resistência e a qualidade do material e assim por diante: “Só prefiro o menos ecológico se o material não tem qualidade, não oferece confiabilidade”.
Fonte: Diário do Comércio
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